O cérebro na depressão: o que acontece lá dentro?

Tudo aquilo que vivemos envolve aprendizado e memória
Para compreender melhor a depressão, precisamos conhecer, ainda que de maneira simples, o órgão onde pensamentos, emoções, memória e comportamento são processados: o cérebro.
Ele não funciona como várias peças independentes. Suas estruturas formam redes que se comunicam constantemente.
O córtex pré-frontal, localizado na região anterior do cérebro, participa do planejamento, tomada de decisões, atenção e regulação das emoções.
A amígdala está envolvida no processamento emocional e na identificação de estímulos relevantes, inclusive aqueles associados ao medo e à ameaça.
O hipocampo possui papel fundamental na memória e no aprendizado e também participa dos sistemas relacionados à resposta ao estresse.
O córtex cingulado anterior integra processos relacionados à emoção, atenção e controle cognitivo.
Além dessas estruturas, existem circuitos cerebrais relacionados à recompensa, motivação e prazer. Quando esses sistemas não funcionam adequadamente, pode aparecer um dos sintomas característicos da depressão: a anedonia, ou seja, diminuição importante da capacidade de sentir prazer ou interesse.
É importante entender algo fundamental: não existe uma única região cerebral responsável pela depressão.
Também não podemos explicar a doença simplesmente dizendo que existe “falta de serotonina”.
Serotonina, noradrenalina, dopamina e outros sistemas químicos participam da comunicação cerebral, mas a depressão é muito mais complexa do que a alteração isolada de um neurotransmissor.
E onde entram nossas experiências?
Tudo aquilo que vivemos envolve aprendizado e memória. Experiências positivas e negativas podem influenciar a forma como respondemos posteriormente às situações.
Entretanto, isso não significa que exista um arquivo cerebral que simplesmente precise ser apagado.
Nosso cérebro possui capacidade de adaptação.
Essa característica nos leva a um conceito extraordinariamente importante: neuroplasticidade.
O cérebro pode modificar conexões e padrões funcionais em resposta ao aprendizado, experiências e intervenções.
Portanto, compreender o cérebro não significa procurar onde a depressão está escondida.
Significa compreender que pensamentos, emoções, comportamento, ambiente e biologia estão profundamente conectados.
E essa compreensão abre uma possibilidade importante:
se alguns padrões podem ser aprendidos e reforçados, novas respostas também podem ser desenvolvidas.
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