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Saúde Mental: O que verdadeiramente está por trás da depressão?

Cesar Moutinho
há 1 dia
2 min de leitura
A depressão não possui uma causa única. Ela resulta de uma interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos e sociais

A depressão não possui uma causa única. Ela resulta de uma interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos e sociais


Por: Heloísa Lima


Quando uma pessoa recebe o diagnóstico de depressão, existe um risco: começarmos a enxergar o diagnóstico antes de enxergarmos o indivíduo.


Duas pessoas podem receber o mesmo diagnóstico e, ainda assim, terem histórias, sintomas, vulnerabilidades e necessidades completamente diferentes. Por isso, talvez uma das primeiras perguntas deva ser: o que está acontecendo com essa pessoa?


A depressão não possui uma causa única. Ela resulta de uma interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. Predisposição genética, estresse, perdas, experiências adversas, condições de saúde e circunstâncias atuais podem participar desse processo.


E o cérebro está no centro dessa experiência.


Pensamentos, emoções, memória, motivação, tomada de decisão e percepção de prazer dependem do funcionamento integrado de diferentes redes cerebrais. Na depressão, pesquisas identificam alterações em circuitos relacionados à regulação emocional, recompensa, memória e resposta ao estresse.


Isso significa que não existe simplesmente um “botão da depressão” dentro do cérebro.


Também precisamos ter cuidado com outra ideia: não podemos dizer que toda depressão surgiu de algo que a pessoa “registrou” no passado. Experiências anteriores podem influenciar nossa maneira de interpretar determinadas situações, mas não explicam todos os casos.


O objetivo do tratamento também não deve ser apagar o passado.


Memórias fazem parte da nossa história. O que podemos trabalhar é a maneira como determinados pensamentos, comportamentos e emoções estão influenciando o presente e desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com eles.


É nesse ponto que psicoterapia, acompanhamento médico e, quando indicado, medicamentos podem fazer parte de um mesmo plano terapêutico.


A família também precisa compreender a doença. Frases como “reaja”, “isso é falta de força” ou “você precisa pensar positivo” podem aumentar o sofrimento.


Depressão não é simplesmente tristeza. E tratamento não significa apenas prescrever um medicamento.


Precisamos mudar a pergunta.


Em vez de apenas perguntar “qual é o diagnóstico?”, precisamos perguntar:


“Quem é a pessoa que está diante desse diagnóstico e do que ela precisa para recuperar sua funcionalidade, seus vínculos, sua esperança e sua capacidade de viver?”


O diagnóstico pode ter um nome.


Mas o tratamento precisa alcançar o indivíduo.


Maiores informações: Instagram: euheloisalima

Telefone: 21970027199

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