Saúde Mental: O que verdadeiramente está por trás da depressão?

A depressão não possui uma causa única. Ela resulta de uma interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos e sociais
Por: Heloísa Lima
Quando uma pessoa recebe o diagnóstico de depressão, existe um risco: começarmos a enxergar o diagnóstico antes de enxergarmos o indivíduo.
Duas pessoas podem receber o mesmo diagnóstico e, ainda assim, terem histórias, sintomas, vulnerabilidades e necessidades completamente diferentes. Por isso, talvez uma das primeiras perguntas deva ser: o que está acontecendo com essa pessoa?
A depressão não possui uma causa única. Ela resulta de uma interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. Predisposição genética, estresse, perdas, experiências adversas, condições de saúde e circunstâncias atuais podem participar desse processo.
E o cérebro está no centro dessa experiência.
Pensamentos, emoções, memória, motivação, tomada de decisão e percepção de prazer dependem do funcionamento integrado de diferentes redes cerebrais. Na depressão, pesquisas identificam alterações em circuitos relacionados à regulação emocional, recompensa, memória e resposta ao estresse.
Isso significa que não existe simplesmente um “botão da depressão” dentro do cérebro.
Também precisamos ter cuidado com outra ideia: não podemos dizer que toda depressão surgiu de algo que a pessoa “registrou” no passado. Experiências anteriores podem influenciar nossa maneira de interpretar determinadas situações, mas não explicam todos os casos.
O objetivo do tratamento também não deve ser apagar o passado.
Memórias fazem parte da nossa história. O que podemos trabalhar é a maneira como determinados pensamentos, comportamentos e emoções estão influenciando o presente e desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com eles.
É nesse ponto que psicoterapia, acompanhamento médico e, quando indicado, medicamentos podem fazer parte de um mesmo plano terapêutico.
A família também precisa compreender a doença. Frases como “reaja”, “isso é falta de força” ou “você precisa pensar positivo” podem aumentar o sofrimento.
Depressão não é simplesmente tristeza. E tratamento não significa apenas prescrever um medicamento.
Precisamos mudar a pergunta.
Em vez de apenas perguntar “qual é o diagnóstico?”, precisamos perguntar:
“Quem é a pessoa que está diante desse diagnóstico e do que ela precisa para recuperar sua funcionalidade, seus vínculos, sua esperança e sua capacidade de viver?”
O diagnóstico pode ter um nome.
Mas o tratamento precisa alcançar o indivíduo.
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