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À esquerda ou direita? Brasil repete polarização, vê nova onda conservadora, mas mergulha em 2º turno incerto

Cesar Moutinho
há 17 horas
6 min de leitura






As eleições gerais ganharam ares plebiscitários de aprovação ou reprovação de propostas de direita e de esquerda

As eleições gerais ganharam ares plebiscitários de aprovação ou reprovação de propostas de direita e de esquerda


O 1° turno da eleição confirmou uma repetição da polarização que tomou conta do país há uma década. Desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e a ascensão da extrema-direita, no Brasil liderada por Jair Messias Bolsonaro, as eleições gerais ganharam ares plebiscitários de aprovação ou reprovação de propostas de direita e de esquerda e de administrações e mandatos de políticos dessss espectros.


Foi assim em 2018, quando a primeira avalanche de apoio a Jair Bolsonaro nas urnas se deu por meio da chamada “onda 17”. Quatro anos depois, Bolsonaro teve a sua controversa gestão da pandemia levada à avaliação dos eleitores. Terminou como o primeiro presidente a não conseguir se reeleger. Apesar de eleger 99 deputados federais pelo PL, sob uma nova febre, agora atualizada para “onda 22”, Bolsonaro acabou derrotado por margem estreita de 2 milhões de votos, para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que retornava às urnas após a prisão por condenação na Lava-Jato.


O exemplo mais recente se confirmou nas urnas no último domingo (4). O senador Flávio Bolsonaro (PL), que concorre no lugar do pai, condenado e preso em regime domiciliar por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, obteve maioria de votos, com 47%, contra 45,1% de Lula,


incumbente da vez que tem o terceiro mandato colocado sob escrutínio da população na atual campanha. Uma diferença de apenas 2,2 milhões de votos que coloca novamente o país em um 2° turno imprevisível.


Os números do 1° turno confirmaram uma disputa apertada já prevista pelas pesquisas, mas surpreenderam por colocar Flávio à frente do petista. Foi a primeira vez que Lula saiu em desvantagem de uma eleição presidencial desde 1998, quando perdeu ainda em 1° turno para um bem-avaliado Fernando Henrique Cardoso (PSDB).


Mais do que isso, nas disputas para os outros cargos, o PL “varreu” novamente o país, elegendo 121 deputados federais, 19 senadores e cinco governadores pelo país. Uma nova onda que confirmou uma preferência do eleitorado brasileiro por ideias e propostas voltadas à direita, de caráter conservador.


O resultado desenha um país em que a direita chega ao segundo turno presidencial não apenas impulsionada pela força de Bolsonaro, mas amparada por uma bancada maior no Congresso e por governos estaduais conquistados nas urnas. O desafio de Flávio, agora, é transformar essa vantagem do campo político em maioria nacional — enquanto Lula tenta repetir a capacidade de coalizão que historicamente permitiu ao PT vencer disputas presidenciais mesmo diante de um Congresso mais conservador.


O avanço da direita, porém, não significa uma derrota eleitoral completa da esquerda. Com 45,1% no primeiro turno, Lula preservou uma base próxima da metade do eleitorado nacional e leva para a segunda etapa uma estrutura partidária ainda relevante. A questão a ser respondida nas urnas no final de outubro é se essa base é suficiente para atrair os eleitores que escolheram candidatos de centro ou que ficaram fora da disputa presidencial.


A vantagem de Flávio, embora inédita diante de Lula em um primeiro turno, está longe de representar uma eleição resolvida. Com apenas 1,9 ponto percentual separando os dois candidatos, o segundo turno recoloca em disputa uma parcela decisiva do eleitorado que ficou com outras candidaturas ou não votou em nenhum dos dois. A busca por mobilizar também os 30 milhões de eleitores que formaram a faixa de abstenção é outro ponto forte das campanhas de PL e PT. É nesse espaço que as campanhas concentram, agora, a tentativa de construir uma maioria.


As vitórias da direita em SC


Em Santa Catarina, o eleitorado se mostrou novamente um dos maiores aliados do bolsonarismo, como ocorreu em 2018 e 2022. Elegeu o governador aliado Jorginho Mello (PL), com 69% dos votos, os dois senadores do PL, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, além de sete deputados federais e 16 estaduais. As vitórias expressivas tiveram direito a recordes de votos ds nomes como Júlia Zanatta (PL), federal mais votada da história no estado, com 560 mil votos, e novo recorde de Ana Campagolo (PL), estadual mais votada pela segunda vwz seguida. Na corrida presidencial, deu 66,6% dos votos a Flávio Bolsonaro, contra apenas 25% de Lula.


O resultado do 1° turno encerrou uma campanha turbulenta, marcada por crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF), decisões de última hora sobre reajuste do Bolsa Família, proibição de bets, programa de redução de dívidas, polêmicas sobre públicos a respeito de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país e esvaziamento de debates, com um vaivém de decisões judiciais que terminaram com o cancelamento do último debate, da TV Globo. Nas urnas, o eleitorado atestou desgaste da gestão petista ao colocar Flávio em vantagem, mas mostrou que Lula ainda tem base sólida de eleitores, que agora busca se reorganizar para buscar uma virada inédita as corridas presidenciais. Nesta semana, Lula e Flávio reuniram apoiadores para discutir erros e acertos do 1° turno e definir a estratégia para as três semanas de campanha até o 2° turno, em 25 de outubro.


Lideranças de SC acionadas por campanhas nacionais


Após a vitória nas urnas, o governador Jorginho Mello enfatizou a atenção que pretende dar à campanha do 2° turno de Flávio Bolsonaro. Nesta semana Jorginho, Carlos Bolsonaro e Carol de Toni participaram de ato de apoio à Flávio em Brasília.


“Estamos unidos e preparados para esse segundo turno. Santa Catarina tem uma participação importante nesse processo e vamos trabalhar para levar essa mensagem para todo o Estado. O Flávio sabe que pode contar conosco”, afirmou Jorginho, na relargada da campanha de Flavio na capital federal.


No lado petista, a semana também foi de mobilização após a derrota para Flávio Bolsonaro no 1° turno. Deputada federal eleita com 114 mil votos, a atual vereadora de Criciúma Giovana Mondardo (PCdoB) também foi chamada a Brasília para contribuir com a estrategia de redes sociais de Lula no 2° turno. A comunicação da campanha petista foi o principal alvo de criíticas internas após o resultado das urnas no domingo, inclusive com ameaças de troca na coordenação-geral da campanha.


A estratégia para buscar uma virada no segundo turno passa sobretudo por uma mudança na comunicação digital. Nas redes sociais, o petista já iniciou uma guinada já estratégia com vídeos que resgatam imagens de Jair Bolsonaro e sua relação com armas, mostrando o ex-presidente falando sobre armamentos com crianças, em uma tentativa de resgatar temas que já geraram rejeição ao bolsonarismo. Também publicou vídeos tentando obter apoio de eleitores que rejeitam Lula e Flávio, citando possíveis riscos a direitos de um eventual novo governo do PL.


“A mobilização dos jovens é essencial para vivermos um novo tempo, conversando, trocando ideias para também aprovarmos o fim da escala 6×1”, assinalou Giovana, após a ida às reuniões com o comando petista em Brasília.


Olhar no futuro


Com mais duas semanas até a votação de 25 de outubro, os dois campos partem de posições diferentes. Flávio chega ao segundo turno embalado pela vantagem numérica e por uma direita fortalecida nas disputas para o Congresso e os governos estaduais.


Nos primeiros dias da campanha, reuniu governadores e parlamentares da direita eleitos para demonstração de força política na arrancada para o 2° turno. Obteve ainda o apoio formal de outros candidatos da direita derrotados no 1° turno, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).


Também precisa encontrar o equilíbrio entre a empolgação e os anúncios de um possível mandato com o risco de precipitação de acordos no Judiciário em favor de lideranças condenadas pelo processo do golpe e de anúncios como uma nova Constituinte, pelos possíveis impactos frente ao eleitorado.


Lula, por outro lado, precisa transformar os 45,1% obtidos no primeiro turno em uma frente capaz de incorporar eleitores que não votaram no PT — e, pela primeira vez em décadas, começa a segunda etapa de uma eleição presidencial precisando correr atrás do adversário.


A disputa, agora, indica ir além de apenas uma repetição da polarização que marcou as últimas eleições. Sugere colocar à prova a capacidade de cada campo de transformar sua força eleitoral em maioria nacional. O embate está formado no Brasil dividido, considerando o empate técnico. Enquanto isso, cabeças pensantes buscam estratégias de marketing para levar às urnas os 29% dos eleitores que deixaram de vota no primeiro turco.




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