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Saúde mental: É possível ensinar o cérebro a responder de outra maneira?

Cesar Moutinho
há 1 dia
2 min de leitura
Chamamos de neuroplasticidade a capacidade do sistema nervoso de modificar sua organização e suas conexões em resposta às experiências e ao aprendizado

Chamamos de neuroplasticidade a capacidade do sistema nervoso de modificar sua organização e suas conexões em resposta às experiências e ao aprendizado


Por: Heloísa Lima


Quando compreendemos que o cérebro possui capacidade de adaptação, surge uma pergunta poderosa: podemos desenvolver novas maneiras de pensar, sentir e agir?


Em muitos aspectos, sim.


Chamamos de neuroplasticidade a capacidade do sistema nervoso de modificar sua organização e suas conexões em resposta às experiências e ao aprendizado.


Isso não significa simplesmente “pensar positivo”.


Também não significa apagar acontecimentos dolorosos ou fingir que determinadas experiências nunca existiram.


A transformação está na construção de novas respostas.


Imagine uma pessoa que, depois de sucessivas experiências negativas, desenvolveu determinados padrões de pensamento: “não sou capaz”, “nada vai mudar”, “sempre dará errado”.


Esses pensamentos não devem ser tratados como a única causa da depressão. Entretanto, quando estão presentes, podem contribuir para a manutenção do sofrimento e influenciar comportamento, motivação e relacionamentos.


É justamente aí que determinadas psicoterapias podem atuar.


A terapia cognitivo-comportamental, por exemplo, pode ajudar a pessoa a reconhecer pensamentos e comportamentos que contribuem para seus problemas e desenvolver estratégias diferentes para lidar com as situações.


A ativação comportamental trabalha, entre outros aspectos, a retomada planejada de atividades significativas e a redução de padrões de evitação.


Portanto, trabalhar o presente não significa negar o passado.


Significa compreender aquilo que precisa ser compreendido sem permitir que toda a vida permaneça organizada ao redor daquilo que aconteceu.


Além da psicoterapia, hábitos cotidianos também fazem parte do cuidado. Sono regular, atividade física apropriada, alimentação, redução do consumo de álcool, relacionamentos saudáveis e retomada gradual de atividades podem contribuir para a recuperação, sempre considerando as condições individuais.


Mas existe algo fundamental: depressão não se vence apenas com força de vontade.


Quando uma pessoa está deprimida, justamente os sistemas envolvidos em motivação, energia, concentração e prazer podem estar comprometidos.


Por isso, dizer simplesmente “levante e faça alguma coisa” desconhece a complexidade da doença.


O caminho é tratamento, acompanhamento e construção progressiva de novas respostas.


Não precisamos apagar nossa história para construir um futuro diferente.


Podemos aprender a relacionar-nos com ela de outra maneira.


O passado pode explicar algumas marcas. Mas não precisa escrever sozinho os próximos capítulos.


Maiores informações:

  • INSTAGRAM: euheloisalima

  • Telefone: (21) 9700.27199

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