Saúde Mental: Depressão - tratar e cuidar da pessoa inteira

Importante: nem toda depressão recebe exatamente o mesmo tratamento
Por: Heloísa Lima
Depois de compreender a depressão, conhecer um pouco do cérebro e entender sua capacidade de adaptação, chegamos à questão mais importante: o que fazer?
O primeiro passo é uma avaliação adequada.
Antes de concluir que todos os sintomas são consequência de depressão, profissionais de saúde precisam compreender sua duração, intensidade, impacto na vida, histórico clínico, medicamentos utilizados, outras condições de saúde mental e física e possível risco de suicídio.
A partir dessa avaliação, constrói-se um plano individualizado.
A psicoterapia constitui um dos pilares do tratamento. Ela pode ajudar a desenvolver novas maneiras de pensar, enfrentar situações, relacionar-se e modificar comportamentos que estejam contribuindo para a manutenção do sofrimento.
E onde entra o medicamento?
Quando indicado, o antidepressivo pode integrar o tratamento. Existem diferentes classes e diferentes mecanismos farmacológicos. A escolha deve considerar características clínicas, tratamentos anteriores, outros medicamentos utilizados, possíveis efeitos adversos e preferências do paciente.
Por isso, antidepressivo não deve ser escolhido, iniciado, substituído ou interrompido sem orientação profissional.
Outro ponto fundamental é entender que nem toda depressão recebe exatamente o mesmo tratamento.
Quadros menos graves podem ser manejados inicialmente com intervenções psicológicas apropriadas, enquanto quadros moderados ou graves podem exigir associação entre psicoterapia e medicamentos, conforme avaliação individual.
Existe ainda um componente muitas vezes esquecido: a rede de apoio.
Família e amigos não substituem psicólogos ou médicos, mas podem colaborar enormemente com o tratamento.
Acolher, escutar sem julgamento, observar mudanças importantes, incentivar a continuidade do acompanhamento e compreender que determinados comportamentos são sintomas ,e não simplesmente falta de vontade,muda o ambiente ao redor do paciente.
E precisamos falar sobre segurança.
Quando aparecem pensamentos de morte, desesperança intensa, intenção de suicídio ou risco de autoagressão, é necessária avaliação profissional imediata.
Depressão exige conhecimento, mas também exige humanidade.
Medicamento pode atuar sobre mecanismos biológicos. Psicoterapia pode trabalhar pensamentos, comportamentos, emoções e relacionamentos. Hábitos e ambiente podem favorecer a recuperação. A rede de apoio pode ajudar a sustentar o processo.
Nenhuma dessas dimensões precisa competir.
O tratamento mais inteligente não enxerga apenas a doença. Enxerga a pessoa inteira.



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