Libertadores: Fluminense vence Rivadavia nos pênaltis com destaque para o goleiro Fábio
- Cesar Moutinho
- há 12 horas
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Após a saída de Zubeldia, equipe tricolor é resiliente para sobreviver pressão argentina e avançar nos pênaltis no brilho de Fábio
A classificação ganha peso pela maneira como foi construída, mais do que pelo futebol apresentado. O time está em processo de transição, jogou cerca de 50 minutos com um jogador a menos, precisou suportar a pressão, saiu na frente, sofreu o empate nos acréscimos, perdeu uma chance inacreditável... Ainda assim, encontrou forças para avançar nos pênaltis.
Nem o torcedor mais apreensivo imaginaria as idas e vindas da decisão. Talvez tenha sido o jogo mais resiliente da temporada. Afinal, o time está em processo de redefinição após a saída de Luis Zubeldía do comando. Em relação à vitória sobre o Palmeiras, no último sábado, a dupla de zaga titular, com Thiago Silva e Ignácio, foi a única novidade.
O Fluminense entrou em campo com Fábio; Guga, Ignácio, Thiago Silva e Renê; Martinelli, Hércules e Ganso; Canobbio, Soteldo e Hulk.
O time argentino jogou nos contra-ataques o tempo todo, fazendo a bola chegar a Arce, principal nome da equipe, e conseguiu apresentar, de fato, mais perigo que o comandados de Marcão. A boa notícia do jogo foi a melhora do sistema defensivo no quesito bola aérea, principal problema do setor na temporada. A má é que Fluminense teve dificuldade para criar e avançar ao último terço.
Foi no segundo tempo que o duelo ganhou ares dramáticos e fez a torcida prender a respiração no estádio Malvinas Argentinas. Canobbio foi expulso com nove minutos. Marcão mexeu, e brilhou a estrela de Serna, que abriu o placar na primeira chance.
Marcão fica emocionado ao classificar o Fluminense na Libertadores
A alegria durou pouco porque Arce empatou de pênalti, aos 51 minutos. Mas, instantes depois, Serna recebeu na área e, livre, mandou por cima do gol de forma inacreditável. O Flu foi para os pênaltis sem os principais batedores, mas com uma vantagem que poucos times conseguem levar para uma decisão desse tamanho: Fábio. O goleiro, jogador mais experiente em Libertadores na história, apareceu quando o time mais precisava. Ele pegou duas batidas, a última delas nas cobranças alternadas, e deu a classificação aos cariocas.
Em uma noite em que o futebol do Fluminense esteve longe de convencer, mas parece ter voltado a suportar a pressão, a experiência do goleiro foi tão importante quanto qualquer atuação técnica. No meio de tantas dúvidas geradas da arquibancada para o campo e das críticas recentes direcionadas ao time, foi um campeão da Libertadores em 2023 que fez raiar a esperança por dias melhores — assim como Cano no último jogo, na vitória sobre o Palmeiras.
Não foi o melhor futebol apresentado pela equipe, longe disso. Mas talvez seja justamente esse o ponto que torne a classificação tão importante. Em uma Libertadores, às vezes, é preciso resistir. E o Fluminense resistiu.
O time ainda está em processo de reconstrução após a saída de Zubeldía, Marcão é interino e as dúvidas sobre o futuro permanecem. Mas uma classificação como essa pode mudar o ambiente de maneira significativa. Se a virada sobre o Palmeiras deu confiança, a noite de Mendoza pode dar algo ainda mais valioso, que é a sensação de poder mais.
O que o Flu precisava era de um toque de coragem. Não baixar a guarda. Foi isso que fez. Se a injeção de ânimo da virada contra o Palmeiras impulsionou o time, o que esse duelo pode ofertar para o futuro do time na Libertadores? Será visto daqui há poucos dias, porque as atenções se voltam para o Brasileirão, contra o Remo, no próximo sábado, em jogo que provavelmente será de moral alto por uma classificação quase que desacreditada.



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