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Hotel Fiat de Xerém: memória industrial e identidade italiana em Duque de Caxias

  • Cesar Moutinho
  • 23 de fev.
  • 3 min de leitura
Com arquitetura inspirada no estilo italiano das décadas de 1930 e 1940, cercado por extensa área de mata nativa em Xerém - 4º distrito de Caxias
Com arquitetura inspirada no estilo italiano das décadas de 1930 e 1940, cercado por extensa área de mata nativa em Xerém - 4º distrito de Caxias

Por: Julio Cesar


O antigo Hotel Fiat de Xerém é muito mais do que um edifício histórico: é um dos marcos mais simbólicos da industrialização brasileira e da presença italiana na formação econômica, tecnológica e social de Duque de Caxias e da Baixada Fluminense.


Construído na década de 1940 para hospedar engenheiros, executivos e autoridades ligados à Fábrica Nacional de Motores (FNM), o hotel foi concebido como parte estratégica do complexo industrial que transformou Xerém na chamada “Cidade dos Motores”.


 Posteriormente, com a aquisição da FNM pela Fiat, em 1976, o espaço passou a receber diretores e técnicos da companhia italiana, consolidando-se como um ponto de convergência entre Brasil e Itália no desenvolvimento industrial.


Com arquitetura inspirada no estilo italiano das décadas de 1930 e 1940, cercado por extensa área de mata nativa e localizado em posição privilegiada, o hotel também foi palco de encontros políticos, administrativos e sociais que ajudaram a moldar decisões importantes para o país.


Ao longo do tempo, o espaço ganhou novos significados, mantendo-se como um patrimônio afetivo, histórico e estratégico para a cidade.



Visão de futuro com base na memória

Em 2017, a Prefeitura de Duque de Caxias iniciou um importante movimento para resgatar e reposicionar esse patrimônio como vetor de desenvolvimento cultural, turístico e econômico.


Sob a liderança da então Secretária Municipal de Cultura e Turismo, Danielle Barros, e com a atuação estratégica do Subsecretário a frente do Turismo Júlio Souza, foi estruturada uma proposta inovadora para transformar o Hotel Fiat em um Centro de Referência da Itália no Estado do Rio de Janeiro.


À época, Júlio Souza já se destacava como um visionário para Duque de Caxias e para toda a Baixada Fluminense, defendendo a valorização da memória industrial como instrumento de desenvolvimento sustentável, geração de oportunidades e fortalecimento da identidade territorial. Juntos, Danielle e Julio foram um dos idealizadores da Baixada Verde. O que entre outros, deu o título de Embaixador de Caxias a Júlio Souza. 



A iniciativa mobilizou instituições nacionais e internacionais, incluindo representantes do Consulado Italiano, do Fundo Europeu de Investimento, engenheiros italianos, a FUNDEC, o CONI (Comitê Olímpico Italiano) e autoridades do setor de turismo e economia criativa.


O projeto previa a implantação de um centro de capacitação profissional voltado à hotelaria, gastronomia, comércio e serviços, com cursos como:


- Camareira e governança

- Cozinha e gastronomia

- Garçom e barman

- Técnicas de vendas

- Atendimento ao público

- Qualificação para shoppings, hotéis e restaurantes


Mais do que formação técnica, tratava-se de um programa de inclusão produtiva e desenvolvimento regional.


Um patrimônio a serviço das novas gerações

Em 2021, o município avançou nessa direção com o lançamento do projeto do primeiro Hotel-Escola de Duque de Caxias, com apoio educacional da FUNDEC, oferecendo cursos gratuitos na área de hotelaria e turismo.


A iniciativa dialoga diretamente com a vocação original do espaço: se antes o hotel servia para apoiar a formação da indústria pesada brasileira, agora passa a contribuir para a qualificação profissional e o fortalecimento da economia do turismo e dos serviços.


Esse processo representa uma reconversão histórica exemplar, preservando a memória enquanto constrói oportunidades para o futuro.


Patrimônio, identidade e desenvolvimento

O Hotel Fiat de Xerém simboliza a cooperação ítalo-brasileira, a industrialização nacional e a capacidade de reinvenção de Duque de Caxias.


Resgatar e valorizar esse espaço significa:

✔️ Preservar a memória da “Cidade dos Motores”

✔️ Reconhecer a contribuição italiana para o Brasil

✔️ Fortalecer a identidade da Baixada Fluminense

✔️ Gerar qualificação, emprego e renda

✔️ Impulsionar o turismo regional

✔️ Transformar patrimônio histórico em ativo de desenvolvimento


A trajetória do hotel demonstra que o futuro das cidades também se constrói a partir da valorização de suas raízes.


Duque de Caxias possui história, vocação e capital humano para transformar seus marcos históricos em polos de inovação, cultura e prosperidade , um caminho que começou a ser estruturado com visão estratégica e compromisso com as pessoas.


O Hotel Fiat não é apenas um prédio do passado. É um símbolo de como memória, cooperação internacional e planejamento podem abrir caminhos para um novo ciclo de desenvolvimento para Xerém, para Caxias e para toda a Baixada Fluminense.


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