Editorial: O tempo do meu samba continua
- Cesar Moutinho
- há 4 dias
- 2 min de leitura

O samba nasceu no passado, está no presente, quem samba uma vez, samba eternamente
São 56 anos dedicamos a Estação Primeira de Mangueira e uma ruptura momentânea. Posso admitir ter construído um legado na mais simples e transparente humildade. Pra ficar melhor: uma epopeia triunfal que o tempo não apagará jamais. Entretanto, a vida segue e eu continuo sambando, até porque o meu corpo não resiste o som do cavaco, surdo, pandeiro e tamborim. Essa levada rítmica herdada da nossa ancestralidade é maior do que eu e mexe com o meu inconsciente. Posso admitir com todas as letras; é o momento que me sinto mais feliz, é a alma evoluindo com o meu corpo. Um privilégio. Dito isto, despenco entre passos e contra-passos sinuosos no poema de Antônio Candeia, saudoso compositor da Portela, o qual retrata a figura do passista. "A idade não importa/A cor da pele não interessa/Se tem perna torta/Se tem perna certa/Para saber se tem samba na veia/O Samba veio de longe/Hoje está na cidade/Hoje está na Aldeia/Nasceu no passado/Está no presente/Quem samba uma, samba eternamente". Esse poema foi publicado no livro intitulado Dança do Samba/O exercício do Prazer, pelo saudoso jornalista José Carlos Rego; um dos mais belos trabalhos editoriais dedicado aos passistas das escolas de samba. Contudo, no tempo do meu samba, guardo na memória meu primeiro desfile defendendo às cores da Verde e Rosa, quando no ano de 1971, a Mangueira homenageava Santos Dumont e a conquista de um honroso 4º lugar. Ah... o desfile neste ano foi realizado na Avenida Presidente Vargas. O tempo do meu samba continua, aliás, vivi dois séculos diferentes, dois milênios diferentes e mais de seis décadas. Na mutação do tempo do meu samba, coleciono vários campeonatos pela Mangueira, entre os mais emblemáticos: Yes nós Temos Braguinha no ano de 1984, na inauguração do Sambódromo. Naquele mesmo ano conquistei o Estandarte de Ouro do Jornal O Globo, título mais cobiçado pelos sambistas até hoje. Foi um ano apoteótico. Para completar tamanha felicidade, a Mangueira gabaritou as notas dos jurados no Desfiles das Campeãs e conquistou o título de Super Campeã; só a Verde e Rosa ostenta esse título. Essa é apenas uma das histórias na mutação do tempo do meu samba. Recolhido da avenida por enquanto, o Quintal do Índio da Mangueira tá nas ruas, tá praças e a quem interessar possa. Caso contrário, eu estarei desfilando no G.R. Escola de Samba Unidos dos meus Netos. "É melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe". Bom desfile. Até a próxima edição, se Deus quiser.





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