Editorial: O Brasil dos meus sonhos
- Cesar Moutinho
- 4 de mai.
- 2 min de leitura

No Brasil dos meus sonhos não haverá sequer um "Menor Abandonado"; escravo do vício ou ofício do mal
Me dê a mão/eu preciso de você/seu coração/Sei que pode entender/e o calçadão é meu lar, meu precipício/mesmo sendo sacrifício/faça alguma coisa pra me socorrer. Eu não quero ser/manchete em jornal,/ibope na TV/se eu ficar por aqui/o que vou conseguir/mais tarde será um mal pra você. Não ser um escravo do vício/um ofício do mal/nem ser um profissional/na arte de furtar/quero estudar, me formar/ter um lar pra viver/e apagar esta á impressão/que em mim você vê. Difícil não lembrar dessa obra prima, de autoria dos compositores; Mauro Diniz, Pedrinho da Flor e Zeca Pagodinho, no ano de 1987. Já se passaram 39 anos, e os problemas eminentes daquela época repercutem até hoje, com requinte de crueldade cada vez maiores. Dados atualizados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua confirma: 365.822 pessoas sem teto. O leitor deve estar se perguntando, o porquê do samba e da estatística. A realidade do inferno que brotou no passado, não sobrou nenhum menino (a) de rua, vitimados do gargalo das garrafas e do fatídico pó das ruas. Triste culpa da sociedade? Entretanto, ao admitir ser fisgado pela poesia carregada de emoção do samba "Menor Abandonado", resolvi pontuar o Brasil dos meus sonhos, antes do sol se por e os meus olhos fecharem. Bem, no Brasil dos meus sonhos, haverá emprego para todos. Dentro desse desenho que se configura, o chefe de família chegará em casa encontrará filhos sadios e uma mulher para amar. Todo pobre no Brasil dos meus sonhos terá uma casa para morar e o que comer, os hospitais terão remédios, as escolas terão alunos e os professores receberão um salário descente. Os policiais apenas prenderão os bandidos e não os ajudarão a roubar. Os bandidos aprenderão que malandragem é honestidade. No Brasil dos meus sonhos, o sangue é vermelho, no preto e no branco. No Brasil dos meus sonhos a integração entre o homem e a natureza será sustentável, a ponto de querer transformar-se numa cadeira para quem quiser sentar-se. No Brasil dos meus sonhos, Deus será idolatrado em harmonia com todas as religiões, sobretudo, porque Deus não tem religião. Aliás, onipresente, Deus está em todas as coisas. No Brasil dos meus sonhos não haverá sequer um "Menor Abandonado"; escravo do vício ou ofício do mal, que fará mal a você no futuro. Porque no Brasil dos meus sonhos; eu perco a batalha mais não perco o direito de sonhar. Até a edição 422 se DEUS quiser.



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