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Artigo: O Império dos Sofismas na Era Digital

  • Cesar Moutinho
  • 16 de mar.
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 6 dias

A acessibilidade tecnológica potencializa a atuação desses modernos sofistas
A acessibilidade tecnológica potencializa a atuação desses modernos sofistas

Por: Celso Lopes



Há alguns dias, em uma aula de Ecologia Política, reencontrei a palavra “sofisma”. Muito comum nos textos de filosofia, essa disciplina infelizmente se tornou uma lembrança rara e pouco aprofundada nos currículos da educação básica. Segundo o dicionário, o sofisma é uma:


“Premissa ou argumentação cujo propósito se estabelece na intenção de produzir uma ilusão da verdade, apresentando uma estrutura lógica, mas fundamentada em relações incorretas e propositalmente falsas.” (Lexicógrafa: Débora Ribeiro)

Refletindo sobre essa prática persistente ao longo dos séculos, percebo um paradoxo: apesar do acesso sem precedentes ao conhecimento e a estudos sólidos, somos massacrados diariamente por "arautos de verdades" éticas, religiosas, econômicas e políticas. Talvez pela comodidade de delegarmos a outros o nosso poder de escolha — um exercício que exige trabalho e renúncia —, acabamos sucumbindo à sedução de oratórias eloquentes. O resultado? Manipulações que geram danos muitas vezes percebidos tarde demais.


Longe de buscar uma verdade absoluta, destaco a importância do exercício pessoal de reflexão sobre o que nos é apresentado de forma "inevitável" ou "incontestável". A solução "perfeita", o caminho "mais seguro" ou a fé "mais santificada" frequentemente escondem objetivos pouco democráticos que, em vez de priorizar o bem comum, privilegiam poucos.

A acessibilidade tecnológica potencializa a atuação desses modernos sofistas. Eles tornam-se quase onipresentes, exercendo uma influência digital que, para muitos, anula a capacidade de focar e raciocinar sobre o que está sendo veiculado. Lideranças corporativas, políticas, artísticas e até criminosas utilizam o sofisma para atingir seus fins. Se o objetivo é o bem comum, aí já é outra história...


Convido-os a observar como atuam os sofistas em temas públicos atuais, como as eleições presidenciais, os conflitos no Irã, o escândalo do Banco Master ou o julgamento do governador do Rio. Uma situação presente sugerida que favorece este exercício é o embate sobre a redução da maioridade penal; nela, o sofisma floresce em argumentações que buscam persuadir a opinião pública, ignorando fatores concretos:


 A favor: “Se o jovem pode votar aos 16 anos, também pode ser preso.” (Argumento de analogia que ignora complexidades jurídicas e sociais).

Contra: “A redução da maioridade penal fere cláusulas pétreas da Constituição Federal.” (Argumento técnico-jurídico).


Fica o convite à reflexão: estamos decidindo por nós mesmos ou apenas sendo convencidos?

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