A força da Baixada, a onda da direita e o limite das redes sociais nas eleições 2026

A força eleitoral da Baixada Fluminense nas eleições 2026
Por: André Rocha
"Chegamos ao fim do primeiro turno de 2026, e as urnas deixaram lições claras para quem acompanha a política fluminense. A primeira é a força da Baixada Fluminense na formação das bancadas estaduais e federais. A segunda é uma nova onda da direita, que no Rio de Janeiro, foi muito além do que as pesquisas indicavam. A terceira, talvez a mais importante para quem é do ramo, é que as redes sociais, sozinhas, não elegem ninguém.
A Baixada decide
O estado do Rio tem mais de 12 milhões de eleitores, o terceiro maior colégio eleitoral do país. Basta olhar para o topo da lista dos mais votados para entender o peso da Baixada nessa conta. O deputado federal mais votado do estado, Dr. Luizinho (PP), veio de Nova Iguaçu. Antônio Rueda (União), estreante nas urnas, teve quase 94 mil votos vindos de Belford Roxo, reduto do ex-prefeito Márcio Canella. O próprio Canella foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio.
A eles se somam nomes como Rosenverg Reis de Duque Caxias, Felipinho Ravis e Carlinhos BNH de Nova Iguaçu, André Ceciliano de Paracambi, e Vinícius Cozzolino de Magé, todos eleitos para a Alerj. Os eleitos deste ano mostram que a Baixada segue sendo o território onde se decide boa parte da eleição proporcional no estado.
Uma onda que as pesquisas não viram
No Rio, a direita não apenas venceu, ela cresceu em todas as frentes. O PL elegeu 15 dos 46 deputados federais do estado, contra 11 em 2022, e passou de 17 para 21 cadeiras na Alerj, o equivalente a 30% da Casa. Ficou também com as duas vagas fluminenses no Senado, com Carlos Portinho e Carlos Jordy.
Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente no Rio, com vitória em 83 das 92 cidades. E foi justamente na Baixada que a vantagem cresceu. Em Nova Iguaçu, Flávio teve 59,45% dos votos válidos, mais de 267 mil votos, sua terceira maior votação no estado.
Para o governo do estado, veio a maior surpresa do primeiro turno. Douglas Ruas (PL) chegou em primeiro, com 49,27% dos votos válidos, contra 42,76% de Eduardo Paes (PSD).
Revolta ou voto silencioso?
O que explica uma votação tão avassaladora? Uma pista está na distância entre as pesquisas e as urnas. Paes liderou praticamente toda a campanha. Em abril, Paes tinha 53% contra 13,2% de Ruas, no início de setembro ainda apontava 35% a 25%. Nas urnas, a ordem se inverteu. É o retrato do voto silencioso, aquele eleitor que não declara a escolha ao pesquisador, mas confirma na cabine.
Pode ser também um voto de revolta. Às vésperas da eleição, pesquisas registravam desaprovação de mais de 50% ao governo Lula. Mas a explicação não para por aí, outro ponto interessante é que no mês de julho 64% dos fluminenses achavam que o ex-governador Cláudio Castro, do PL, não merecia eleger um sucessor, e mesmo assim o candidato do seu partido liderou nas urnas. O voto parece ter sido uma afirmação de identidade política e de rejeição ao campo adversário. Além daqueles que não escolheram ninguém, a abstenção no estado chegou a 23,33%.
É justo também registrar que a esquerda não desapareceu. Rick Azevedo (PSOL) foi o segundo deputado federal mais votado do Rio, com 191 mil votos e a federação PT/PCdoB/PV formou a segunda maior bancada da Alerj, com dez cadeiras. A onda é real, mas o eleitorado ainda continua dividido.
Seguidor não é eleitor
Se há uma lição clara desta eleição, é que alcance e engajamento não se convertem automaticamente em voto. A influenciadora Sarah Poncio, com mais de 3 milhões de seguidores, teve pouco mais de 20 mil votos para deputada federal e ficou na suplência. Antônia Fontenelle ficou na casa dos 3 mil votos com mais de 4 milhões de seguidores, e o ator Humberto Martins não passou de 1.124.
Os que transformaram engajamento em mandato tem algo além dos números, eles têm um público ideológico definido ou uma causa clara. Thiago Gagliasso (PL) se elegeu apoiado em uma base conservadora e na força da legenda. Rick Azevedo levou para as urnas o movimento pelo fim da escala 6×1. Nos dois casos, a rede amplificou uma identidade que já existia e não criou uma do zero.
A sola do sapato
Os maiores fenômenos de votação de 2026 foram territoriais. A eleição de Rueda, com 60% dos votos concentrados em uma única cidade, e a de Dr. Luizinho, ancorada em Nova Iguaçu, mostram que o voto ainda nasce da relação com prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias, e da presença física nos bairros. A internet funciona como megafone, mas quem transforma a mensagem em voto é a base.
Alcance e engajamento são um apoio à velha forma de fazer política, não um substituto dela. É gastando a sola do sapato, visitando lideranças e tendo contato direto com as pessoas que o voto se concretiza.
Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), CNN Brasil, Diário do Rio, Agência Brasil, Plural, O Tempo, Agenda do Poder, Brasil de Fato, Metrópoles, BXD em Cena e pesquisas Paraná Pesquisas, RealTime Big Data, Quaest e Futura registradas no TSE." https://rio360noticias.com.br/a-forca-da-baixada-a-onda-da-direita-e-o-limite-das-redes-sociais-nas-eleicoes-2026/#:~:text=Chegamos%20ao%20fim,registradas%20no%20TSE.



Comentários