Carnaval avança com mão de obra no campo profissional
- Cesar Moutinho
- 8 de abr.
- 2 min de leitura

Célia Domingues integra grupo do MEC e impulsiona reconhecimento histórico do setor
Diretora da Fenasamba e Vice-Presidente da Academia de Artes Carnavalescas, empreendedora social participa da atualização do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos e lidera inclusão de profissões do Carnaval no Brasil, Célia Domingues integra grupo do MEC e impulsiona reconhecimento histórico do setor.
O Carnaval brasileiro, uma das maiores expressões culturais do país, vem dando passos significativos rumo ao reconhecimento formal de suas profissões. Desde 2025, Célia Domingues, diretora de Qualificação e Empreendedorismo da Fenasamba, integra o Grupo de Trabalho do Eixo Tecnológico de Produção Cultural e Design do Ministério da Educação (MEC), responsável pela atualização do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT).
A participação da gestora cultural e empreendedora social no GT representa um marco inédito: pela primeira vez, o Carnaval ocupa formalmente um espaço estratégico dentro do MEC para discutir o reconhecimento e a qualificação técnica das profissões ligadas ao setor.
Com mais de três décadas de atuação dedicada ao fortalecimento dos trabalhadores do Carnaval, Célia Domingues construiu uma trajetória sólida a partir de sua vivência no Morro da Mangueira, onde iniciou, ainda em 1995, projetos voltados à qualificação profissional e ao desenvolvimento social dentro da escola de samba. Mulher preta e sexagenária, sua atuação também se estende a outras frentes institucionais: atualmente, é presidente da Associação de Mulheres Empreendedoras do Brasil, vice-presidente da Academia Brasileira de Artes Carnavalescas e presidente do Conselho de Comunidades e Economia Solidária da Associação Comercial do Rio de Janeiro.
O avanço institucional teve início ainda em 2024, quando, durante consulta pública promovida pelo Ministério da Cultura (MinC), a Fenasamba articulou a indicação de 50 ofícios técnicos e artesanais da cadeia produtiva do Carnaval para inclusão na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). A iniciativa ressalta a complexidade e a relevância econômica e cultural de um setor que movimenta milhares de profissionais em todo o país.
O Grupo de Trabalho do MEC, composto por 11 representantes das regiões Sul, Sudeste e Nordeste, já soma mais de 200 horas de reuniões técnicas dedicadas à análise das demandas apresentadas pelos diferentes segmentos da produção cultural.
“Estamos falando do reconhecimento formal de saberes que movimentam uma das maiores manifestações culturais do país. É um passo decisivo para garantir qualificação, valorização profissional e novas oportunidades para milhares de trabalhadores do Carnaval”, destaca Célia Domingues.
A atualização do CNCT poderá viabilizar a inclusão de formações técnicas voltadas ao Carnaval no ensino médio e, futuramente, ampliar esse reconhecimento para universidades e outras instituições de ensino, consolidando oficialmente essas profissões tanto no catálogo quanto na Classificação Brasileira de Ocupações.



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